Em um futuro distópico, em algum lugar do Brasil, uma cientista cansada das dores crônicas que atravessam seu corpo (e da medicina tradicional que insiste em julgá-la, sem apresentar saídas), toma uma decisão radical, que a própria ciência não autoriza: ela será a cobaia de si mesma.
Inspirada por filmes de ficção científica, envia sua consciência numa jornada perigosa e poética para dentro de si mesma. O experimento é instável e tem prazo de validade. Se não voltar em noventa minutos, ela se perde lá dentro.
Misturando autoficção, ciência, delírio e razão, Volta ao Corpo é uma aula-performance onde o corpo vira sala de aula, arquivo, palco e território sagrado. Em meio a bisturis, memórias celulares, vídeos de arquivo, humor ácido e práticas somáticas, a protagonista disseca seus próprios traumas, da infância ao burnout, das violências escancaradas às invisíveis. E da beleza selvagem que teima em resistir sob a pele.
É um solo. Um ensaio visceral. Uma autópsia viva. Um manifesto pela reconciliação com o próprio corpo. Porque o trauma não é o que acontece com a gente. É o que fica no corpo depois do que acontece com a gente. E é preciso voltar pra ele.


Entrar na sala é entrar num laboratório de anatomia precário, de um futuro distópico, num tempo impossível de se situar: azulejo branco, assepsia, luz fria de holofote industrial, armários com gavetinhas de metal, modelos anatômicos na prateleira, equipamentos. Zumbido de máquina, aço, ordem. A plateia chega com o corpo já em estado de exame. Quem assiste acompanha a viagem por dentro, não por fora.
No centro, uma banheira de metal funciona como câmara de privação sensorial. É o ponto de contato entre o fora e o dentro: é ali que a cientista se conecta aos próprios aparelhos e mergulha. A viagem acontece por projeção mapeada sobre o corpo e sobre as superfícies da sala: tecido, sangue, sedimento, partícula em suspensão, memória que sobe como bolha. A cena muda de escala sem trocar de cenário, de sala de exame para dentro de uma célula, de um corpo para a experiência coletiva.
O corpo virou problema logístico. Hiperconectadas e desligadas da própria carne, as pessoas medem o sono, contam os passos e seguem protocolos, mas todo esse aparato serve para performar e otimizar, não para sentir. Quanto mais dados sobre o próprio corpo, menos a gente o habita. A dissociação deixou de ser sintoma e virou rotina.
Ansiedade, burnout e dor crônica são linguagens dessa desconexão. A obra não disputa o lugar do diagnóstico e do tratamento: retoma uma tecnologia ancestral, habitar o próprio corpo, que a ciência contemporânea do trauma confirma e que práticas brasileiras exercem há séculos. Voltar ao corpo é caminho essencial pra cura.


Volta ao Corpo inova em três frentes que se sustentam: na linguagem da cena, na relação que constrói com o público e no modo como se comunica.
Na linguagem. Uma aula-performance que cruza teatro, ciência e autoficção: a cena alterna registro didático e poético, incorpora práticas somáticas e convida a plateia a participar do experimento, não como recurso de interação, mas como tema da própria obra. A viagem para dentro do corpo é resolvida por projeção mapeada, que muda a escala da cena, de sala de exame a interior de uma célula, sem troca de cenário.
Na relação com o público. A cocriação inverte a lógica usual de formação de público: em vez de conquistar espectadores para um produto pronto, o projeto forma vínculo durante a construção da obra. O público não decide a obra, mas o material humano de que ela é feita vem dele, com escuta ativa através das mídias sociais e curadoria da direção.
Na comunicação. O conteúdo digital é o motor, não o apoio: o processo de criação vira narrativa pública contínua, e sobre essa camada opera um método de comunicação de performance consolidado na economia digital e ainda raro no teatro, com campanhas segmentadas, criativos próprios e decisão orientada por dados.
RAFAELA CAPPAItexto, direção-geral e atuação
MARCELO CASTROdireção artística
VINÍCIUS DE SOUZAconsultoria dramatúrgica
MARINA ARTHUZZIiluminação
BRUNO PEIXOTOcriação audiovisual
RENATA CAPPAIconsultoria somáticaPor onde o espetáculo passar, fica formação: oficinas gratuitas de comunicação e formação de público para artistas, produtores e técnicos locais, com metade das vagas reservadas a mulheres realizadoras. O próprio projeto é o estudo de caso, com estratégias, números e aprendizados reais, e o método será publicado em formato aberto ao final, à disposição de quem faz teatro no Brasil.
Desde a pré-produção, o processo de criação é aberto: registros de ensaio, bastidores, escuta ativa do público e ensaios abertos com roda de conversa. Quem acompanha chega à estreia com vínculo, não só com curiosidade.
ACOMPANHE · @UMAVOLTAAOCORPOVolta ao Corpo está aprovado na Lei Federal de Incentivo à Cultura, sob o PRONAC 2510613, com captação aberta. Empresas tributadas pelo lucro real e pessoas físicas que declaram no modelo completo podem destinar parte do imposto de renda devido para viabilizar a montagem e a circulação do espetáculo, com dedução integral prevista no Artigo 18 da Lei Rouanet.
O patrocínio oferece contrapartidas de visibilidade de marca, relacionamento e hospitalidade, ativações junto ao público, presença no conteúdo digital do processo de criação e associação a um programa de formação e impacto social, dimensionadas conforme a cota e o perfil de cada parceiro.
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